Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

E se a água bate na bunda...


Por V.

Há tempos venho acompanhando o LitFanBR, desde antes de criar o Vergonha Literária. Ter uma equipe ajuda muito, é verdade, mas a entusiasta de verdade sou eu, que continuo a “brincadeira”, especialmente quando o material não cai nas nossas mãos.

Queria escrever um artigo, para colaborar, pois temos alguns objetivos em comum, apesar de técnicas e formatos diferentes, mas não tive muito assunto. Até agora.

Ameaçaram nos processar. Ou me processar. Não tenho certeza de como, já que o processo para descobrir a identidade de alguém na internet é complicado e longo, motivo pelo qual, talvez, os autores do email insistiram fortemente para que eu me identificasse, ou identificasse os autores do blog.

Ao averiguar melhor o tal email, descobri que os remetentes do mesmo eram autores de uma editora "gongada" no Vergonha Literária e também parte de um clube, que mais parece uma gangue, pois sai pelos blogs e pelo twitter "tocando o terror" em quem ousar falar qualquer crítica contra qualquer um da patotinha.

Como disse minha advogada, "se fosse assim, eu processaria minha professora de português por me corrigir na frente da turma".

A melhor pergunta aqui é, no entanto, se um autor deve reagir negativamente às críticas.

Claro que ninguém quer ouvir falar mal de seu trabalho mas, ao mesmo tempo, a cada passo do caminho a pessoa deve se perguntar: "eu revisei o suficiente?", "eu passei para outras pessoas (neutras) revisarem?", "eu não me deixei levar pela emoção da minha história e esqueci do português correto?".

Vemos, a cada dia, centenas de novos livros saindo "do forno", para o colo do leitor. Com o advento da internet, da auto-publicação, a cada momento temos mais e mais livros e, assim que os e-books se tornarem mais populares no Brasil, assim como o são em outros países, veremos mais ainda.

Se torna vital alguma forma de diferenciação, um diferencial para a obra e o autor. Um grupo forte de apoio é importante, mas também um grupo que tenha uma especialização, que tenha capacidade teórica e técnica para corrigir erros de português, ortografia, gramática, concordância e furos na trama.
Se torna vital que o autor tenha um grupo de apoio verdadeiro, que não tenha medo de falar a realidade, de mostrar quais os erros, quais os problemas e o que um autor pode ver de errado no livro. A verdade pode te irritar, mas ela irá te tornar um autor melhor: aprenda com seus erros e não os cometa novamente.

Já ouviu o ditado “o pior cego é aquele que não quer ver”? Pois esses autores são assim. Na sua ânsia de vender seu livro, se dizem perfeitos, falam tanto que acreditam e abominam qualquer crítica como “um balde de água fria” ou dizem que o crítico está “destruindo os sonhos de um pobre autor”. Mentira. O crítico está te proporcionando uma maneira de aprender e crescer, uma maneira de ser melhor do que é.

A crítica não é pessoal (e se for, na minha opinião, não é crítica de verdade). Deve falar da obra, dos erros e acertos, não da pessoa, do autor, da personalidade. Há milhares de autores clássicos cuja vida foi um desastre, mas sua obra não se diminui por tais atos - a obra e o autor são elementos distintos.

Você aceitaria um médico que não entende de medicina ou um advogado que não entende as leis? Por que você acha que devemos aceitar um escritor que não entende de português, quando as palavras são o seu trabalho?

Os blogueiros até podem ser considerados um pouco mais levemente do que os autores, por serem amadores e não profissionais. Porém, ao mesmo tempo, se espera que pessoas que amam tanto as palavras (dos livros) tomem algum tempo e cuidado para garantir que as suas também estão corretamente utilizadas.

"As pessoas pedem-te uma crítica, mas querem apenas um elogio." -- Maugham , William.

"Podeis reconhecer um mau crítico porque ele começa por falar do poeta e não do poema." - Pound , Ezra.

Conheça a página de V. em vergonhaliteraria.blogspot.com

Entre em contato: litfanbr@gmail.com


2 comentários:

  1. V.:

    Esta é uma de minhas preocupações diante da enxurrada de publicações em litfan: o idioma.
    Tenho lido tanta barbaridade que não é possível entender como um escritor assim se considera se é incapaz de errar e persistir no erro (e nem discutiremos a qualidade literária, que é outra questão).
    Quando escrevo, pesquiso muito, passo para amigos lerem e busco sempre errar menos. Se não sei, pergunto. Se estou insegura, uso outra expressão. Mesmo assim óbvio, também erro. Mas reconheço meus enganos e aceito críticas sempre. Por que há autores inatingíveis?
    Persevere, pois teu trabalho é muito bom.
    Um abraço!

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  2. Até agora não li uma só matéria de vocês que citasse nomes, então, processar como? rsrsrs... Por dedução? In dubio pro reo, rsrsrs.

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