Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Projeto Jovens Autores - A Realidade Sobre o Mercado Editorial.

Literatura Fantástica Brasileira


Por Miguel Pedra Pequena.

A ideia parecia boa. Possivelmente irritado com os valores cobrados pela Andross Editora e por nunca conseguir ser organizador de uma antologia pela mesma, o autor Eddy Khaos criou o Projeto Jovens Autores - Construindo Sonhos, onde ia lançar 4 antologias: Só Sei Que Te Amo (romance), Adeus Planeta Terra (viagens no espaço), Nação Zumbi (contos sobre zumbis) e Era Uma Vez... (contos infantis). Os livros seriam lançados fisicamente pela Literata e e-book pela Editora Corujito, sendo esta última fundada pelo organizador.

O projeto não era muito caro: o autor aprovado pagaria R$ 150,00 e receberia 10 livros, que poderia revender e repor os gastos. O regulamento foi postado em blogs e sites pequenos, graças às parcerias do organizador.



                  Capa das antologias (sim. Malfeitas. Mas o inferno já está cheio de boas intenções...).

O tempo foi passando e o organizador faz o que qualquer um no cargo executa quando não atinge uma boa quantidade de textos: prorrogou o prazo. Até aí, tudo bem. Uma antologia não precisa trabalhar com muitos textos (a não ser que o editor queira muito dinheiro e tenha muita gente disposta a pagar). Porém, só 3 contos não torna o livro viável de ser vendido e/ou apreciado.

Com o prazo encerrado, vieram a divulgação dos aprovados. Alguns nomes eram esperados como Angie Stanley, Mauricio Kanno e outros, dado a qualidade com a qual escrevem. Outros nomes, que prefiro não mencionar, estavam na cara que entraram por amizade com o organizador (ou em alguns casos, mais que amizade).

O tempo foi passando e a antologia não saía. O organizador não gostava de ser cobrado nas redes sociais, assim como o editor da Literata na época, Eduardo Bonito, também não ficava feliz em ver como as coisas andavam. A desculpa "dentro em breve, mando o boneco do livro a vocês" era dita a qualquer um que perguntava sobre o projeto (como se colocar menos de 20 textos em ordem fosse tão difícil). 

Para sanar a situação, um dos autores assumiu a revisão do livro enquanto o organizador procuraria outra pessoa para diagramá-lo.


A autora pede informação em 10 de novembro. Um mês depois, precisa da mesma informação #pontualidadezero


Depois da revisão, todos os autores tomaram um banho de água fria esperando ver o PDF do livro para revisões finais antes de mandá-lo para a gráfica. 

Conclusão: nem mesmo o autor-revisor, que mostrou o livro aos participantes e todos tiveram uma semana para olhá-lo, encontraram certos erros.

O livro foi lançado e devido a brigas entre Davi Paiva, o autor-revisor, e Eddy Khaos, o encontro de autores foi organizado em um domingo e somente os autores que "respeitaram o organizador durante o processo de produção" é que foram avisados do evento. Mesmo aqueles que moram em São Paulo não foram notificados.

Eddy (em seu outro perfil, Animemoments Brasil) dando satisfações aos participantes... #SQN Notem, ainda, a qualidade do português utilizado pelo senhor Khaos. Imaginem ele revisando textos?

Os autores Mariza Schröder e Vitor Paulo manifestaram sua indignação com a má qualidade do trabalho nas redes sociais e dentro do grupo criado para falar sobre a antologia. E tiveram que escolher entre as duas respostas do organizador: culpar o autor-revisor (como se ele tivesse coordenado o projeto) ou um "vem falar merda", deixando clara a sua educação para com o próximo. E depois de muita discussão, Eddy Khaos fechou o grupo.

Eddy é um exemplo de educação, não é mesmo?

O que eu posso dizer dos livros? Eu os adquiri com um dos autores e depois de lê-los, concluí o seguinte de cada um:

SÓ SEI QUE TE AMO: o organizador quer enfiar goela abaixo de todos que é um bom escritor logo na orelha do livro, ao dizer que é "atualmente um dos grandes incentivadores da literatura fantástica nacional (e isso está presente em todos os livros)". E ainda por cima, em um complexo narcisista, ele nos dá como introdução a história de sua vida, ao quase cometer suicídio por causa de uma de suas inúmeras "peguetes" como se alguém quisesse ler esse tipo de coisa em uma introdução.

What????

O autor-revisor Davi Paiva deu uma sacaneada em um dos contos, fazendo uma citação de uma frase do livro do editor da Andross (o Eddy pode ter criado o projeto para se diferenciar da Andross, mas não conseguiu escapar da editora a qual ele difama em conversas pessoais) no conto "A Terceira Vida" e ainda incluiu mais um conto, "Histórias do Pátio" na antologia em troca da mão de obra como revisor. 

Esses dois textos são os mais distintos da antologia, pois entre mortos e feridos, poemas da namorada do organizador e contos de brasileiros que pensam como estrangeiros com ideias do tipo "conheci o meu amor em um café enquanto lia um livro", não há muito que ler.

NAÇÃO ZUMBI: nem mesmo uma introdução assinada por Angie Stanley salva a má qualidade desta obra! Nela, temos um dos piores contos da história de Eddy Khaos: o personagem principal se chama Eddy Khaos, um ex-militar preso por matar policiais corruptos e mandado para o Carandiru (!) e ao sair de lá, vira faxineiro de um escritório e dirige um fusca do qual para salvar uma mulher de ser atacada por um zumbi... tira um taco de baseball do porta-malas (!!!).

Fora essa tragédia, há outros contos legais. Todavia, nem o melhor texto supera o fato de no final do livro termos um artigo sobre o que são os zumbis... EXTRAÍDO DA WIKIPÉDIA!

ERA UMA VEZ... CONTOS INFANTIS: um dia, algum teórico da USP vai estudar por que organizadores de livros infantis dão a eles o nome de "Era Uma Vez...".

Mais uma vez, o ego de Eddy Khaos o eleva ao nível de um deus. Primeiro ele conta na introdução que quando era criança, sua mãe lia contos de fada para ele (para ele crescer desse jeito? Duvido!). Segundo, ele abre quase todos os contos com uma de suas ilustrações horríveis (só o do Davi Paiva que não é ilustrado. Boatos afirmam que tem a ver com a má qualidade de um desenho do ex-piloto Ayrton Senna, do qual Davi não gostou nem um pouco...). E terceiro, sua personagem Lídia Ventura é empurrada para o leitor como uma garotinha loira de olhos azuis que luta com uma katana contra robôs gigantes...

ADEUS PLANETA TERRA: aqui temos uma tentativa falha de criação de ficção científica "hardcore", uma vez que o organizador não sabe diferenciar a ficção científica da fantasia. A prova disso é o artigo no final do livro sobre a FC, onde ele diz que seu livro, "O Anjo Poeta", é de ficção científica. Detalhe: adivinhem de qual site o Eddy tirou tal artigo?

Os contos são um "mais do mesmo": um bando de trabalhos sem técnica, carisma ou capacidade de fazer o leitor pensar.

Isso, caro leitor, é um reflexo do que é o mercado literário nacional de antologias: o editor é um empresário e vai fazer de tudo para que seu produto venda. E para ele, não é importante se o organizador domina o assunto, entende de técnicas de escrita ou escreve sobre a temática: para o "poderoso chefão", o importante é a popularidade de quem coloca o nome na capa.

O organizador pode não ter a obrigação de ensinar alguém a escrever. Por outro lado, se chama autores novatos ou tem uma temática muito específica (como Pulp, por exemplo), cabe a ele indicar livros, filmes, seriados, jogos e sites em que os participantes podem aprender sobre o tema.


Peroba nessa cara de pau! Um livro infantil com letras cinzas é de lascar com a vista da molecada!

E é claro, o participante tem que ter um mínimo de noção básica sobre aquilo que escreve: ele é novato, brasileiro e não é filhinho de papai (do contrário, bancaria seu livro solo). E seu público, em maior parte, também é da mesma forma: deixar a bela garota de pele branca e olhos azuis que será a rainha do baile de lado e pensar no cara que levanta de madrugada para ir para o trabalho em uma condução lotada e ainda tem família para sustentar é uma maneira de pensar um livro escrito por um brasileiro para autores brasileiros.

Eduardo Bonito saiu do comando da Literata, mas parece que o espírito de porco que acompanhou a empresa por anos ainda vai ser mantido. Ainda teremos mais um período de capas mal desenhadas, erros ortográficos, textos sem coerência ou verossimilhança e um bando de posers que tratam livros como produtos para se colocar em um altar e não como instrumento de leitura e aprimoramento do raciocínio.

E como produzimos aquilo que lemos, infelizmente a erva daninha estende suas raízes por outras editoras. E depois, quando o editor não dá oportunidade ao autor nacional, só nos resta reclamar.

Sem mais.

Sabe de nada, inocente!

Entre em contato: litfanbr@gmail.com



10 comentários:

  1. "Eduardo Bonito saiu do comando da Literata, mas parece que o espírito de porco que acompanhou a empresa por anos ainda vai ser mantido." - Só pra esclarecer, até onde eu sei, a Editora Arwen, que adotou a Literata como selo, não vai manter esses projetos...

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    1. Fiquei sabendo que alguns autores ao procurarem o Eduardo, foram orientados que a nova Editora assumiria tais antologias, o que é uma inverdade, a Editora Arwen, que procurei para esclarecer-me, apenas comprou o nome Literata, não todos os seus problemas. Portanto, volto a afirmar: a Editora Arwen NÃO publicará as antologias "abandonadas" pela Literata
      Ghost Writer

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  2. É... foi mesmo vergonhoso.
    Agradeço a atenção e carinho com meu nome e os elogios, mas esse projeto estava mesmo fadado ao fracasso desde o começo. Fui convidada para participar primeiramente com um conto. Cheguei a escrevê-lo, mas depois recusei o convite. Estava atarefada com o lançamento de mais um livro meu e não conseguiria me dedicar como gostaria. Depois Eddy me convidou a prefaciar o livro Nação Zumbi. Aceitei. Ajudar sempre é prazeroso. Recebi o PDF e o avisei que havia muitos erros ortográficos e que algumas histórias estavam incoerentes. Me propus a ajudá-lo a corrigir, mas ele me disse que não era necessário. Perguntei então por que o texto dele, que abria o livro era o mais extenso de todos, ao que fui esclarecida de que, já que ele era o organizador, tinha ganho esse privilégio. Me calei. Fiz o prefácio, pensando nos muitos amigos que haviam se empenhado nesse projeto. "Menti, não vou mentir." Recuperar aquele dinheiro não seria fácil para ninguém. Sinto muito por todos. Nem fui informada do lançamento, mas se tivesse sido informada, não iria. A editora Literata e o senhor Eduardo Bonito fizeram feio e foram responsáveis por um rombo na minha conta bancária, abalando de vez minha confiança nas pequenas editoras.

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  3. Me recuso a conceber a ideia de que Barueri seja tão pobre em matéria de cultura a ponto de ficarem abrindo espaço na cidade para um párea como esse Eddy Khaos.
    Se eles conhecessem a péssima qualidade do trabalho que ele desenvolve e as picaretagens dele dentro do literatura não chamariam ele nem para limpar privada de creche municipal.

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  4. Muito já foi dito sobre esse cara, e sempre apareceu quem defendesse o cidadão.
    Será que dessa vez alguém ainda se arrisca?

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  5. Total decepção com o mercado editorial. Nesse caso, erros de impressão, erros ortográficos, páginas faltando, desrespeito aos prazos de entrega, desrespeito ao tratar com os autores, falta de compromisso dos responsáveis. A nova editora não vai mesmo manter o projeto. E as respostas que vinham do Eddy, quando não eram com essa linguagem que lemos acima, era "dá pra ler", mas não assinamos um contrato para recebermos livro que "dá pra ler". E essa pessoa que se diz escritor nem ao menos sabe escrever. Devia ter desistido quando acabei de ler o primeiro e-mail. Vergonha!!!

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  6. Eu sou um escritor iniciante, e já publiquei vários contos com a Andross, em temas diversos: terror, policial, ficção científica, poemas, humor. Já publiquei poemas em um livro que fui convidado pelo editor da Bahia. Integro uma Academia de Letras. Mas nunca tive um conto infantil publicado, e quase não há antologias do tipo. Então me candidatei com um conto para o Era Uma Vez, mesmo sabendo de outros amigos escritores que os trabalhos do dito cujo eram a maior furada, cheios de erros, escritor com vergonha de vender o livro e doando ou jogando fora. Mesmo assim, pelo sonho de ter meu primeiro conto infantil publicado e por dedicá-lo ao meu único filho, de 5 anos, fui em frente. Estava ciente dos erros grosseiros do organizador e de sua pouca intimidade com a gramática, mas fui em frente, sempre ajudando, li todos os contos com o Davi, dei muita sugestão. fui sempre educado, e sempre avisei que era para lermos o PDF antes de ir pra gráfica porque sabia que iria na porcalhança já famosa do organizador. Não deu outra. Vários exemplares vieram sem a última página, onde está minha biografia e a do próprio organizador (putz!). Textos em cinza quase no tom da página. Uma letra N digitada bem no meio do título da capa, um lixo editorial. Eu não vou aqui dizer que fui ingênuo, pois sabia da fama do dito cujo. Mas insisti no projeto por amor aos meus textos, e tentei zelar por cada passo para que não houvessem erros. E, como todos que publicaram com o cara, me arrependi. Mas o pior não foi isso. Teve muito escritor que não se manifestou, que não achou ruim, que vendeu os livros mal-feitos e com erros gráficos grosseiros mesmo assim. Eu fico pensando que vaidade é essa de querer divulgar um trabalho ruim só para ter no currículo que publicou mais um conto no Brasil. Eu estou com muita vergonha até de doar um lixo desse para uma biblioteca. Eu respeito meus leitores, e ninguém merece ler um trabalho mal-feito assim, nem de graça. Mas, parabéns para quem teve a iniciativa deste blog. Que mais leitores saibam como são umas editoras por aí. Sempre desconfiem de anúncios como "Nossa editora quer realizar seu sonho de publicar", ou "Sempre cumpro com meus compromissos". É fria. Caiam fora. Bons profissionais não precisam se defender assim. Bons profissionais fazem o bom trabalho e pronto. Infelizmente, como vivemos em um país carente de leitores e escritores, qualquer semi-analfabeto pode se intitular difusor da literatura e ainda enganar alguns escritores novos no ramo com sonhos de ver seus contos publicados. Se não fosse por isso, nenhum escritor acreditaria nas falsas promessas de um cara que nem plural sabe conjugar, e, como diz gostar tanto de literatura fantástica, parece ter adotado a educação e o nível cultural de Orc

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  7. Talvez esse Eddy Khaos até tenha talento para fazer ilustrações, mas há um abismo imenso entre desenhar e escrever. Talvez ele não tenha se dado conta disso exatamente por haver que passe a mão na cabeça dele e o chame de escritor.
    Enquanto existirem analfabetos funcionais sendo encorajados a escrever por puxa-sacos que escrevem ainda piores que eles o mercado literário terá que conviver com esse tipo de "profissional".
    Uma coisa é certa: se não fosse esse blog nenhuma das mediocridades aqui escancaradas viriam ao conhecimento do público e muitos mais escritores seriam ludibriados por esse tipo de gente.
    Falem o que quiserem, mas o blog está de parabéns e dou meus cumprimentos a quem está por trás dele.

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  8. Desculpa-me o comentário, mas não podes generalizar todos os escritores nacionais por meia dúzia.
    O maior problema é que, muitas vezes, autores têm ótimas ideias, mas péssima formação escolar em comunicação e expressão. Em outras palavras, esses não são coesos e, tão-pouco, têm uma escrita correta, mas parecendo uma história de terror para professores de português. De cada mil pretendentes, talvez tires dez que saibam realmente converter com clareza em texto o que pensam, mas nem por isso os outros deixam de ter boas ideias. Quanto ao sujeito em epígrafe, perece um egocêntrico digno de dó.
    Grande abraço.
    Nuno Figueiredo (pretendente a escritor)

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  9. Olá, boa tarde, meu nome é Dominyke e eu sou uma dos criadores do blog Fixação Literária. Somos jovens escritores que almejam um lugar nesse vasto campo que é o universo literário e termos a chance de acrescentar na amargura do mundo uma gota de criatividade, duas colheres de elegância e uma pitada de imaginação.
    Fixacaoliteraria.blogspot.com
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    instagram.com/fixacao_literaria
    E nosso email é Fixacaoliteraria@gmail.com
    Conheça também nossa série
    Poison Minds é uma série literária que conta a história de dois Serial Killer's que têm como principal cenário um motel de beira de estrada. No decorrer dos episódios, onde cada um é narrado de uma forma diferente e por um autor diferente, os protagonistas enfrentam a justiça e trazem à tona sangue e punição aos impuros.
    Segue o link http://fixacaoliteraria.blogspot.com.br/p/poison-minds-catalogo-de-episodios.html
    Desde já agradecemos.

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