Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Literatura bestializadora.

literatura bestializadora


Por Irmandade da Literatura.

Uma sociedade emburrecida, bestializada, certamente é mais fácil de ser manipulada pelas classes dominantes, qualquer pateta sabe disso, mas poucos são os que lutam para impedir que aconteça.

O governo, de modo geral, apoia a bestialização da sociedade, para assim poder manipulá-la de acordo com seus interesses.

Já a mídia o auxilia nesse propósito, até mesmo porque é ele quem lhes concede o direito de operar em território nacional.

Uma mão lava a outra dentro de um jogo de interesses enojante e quem sai perdendo é a população, pelo menos a fatia de 90% que não consegue enxergar um palmo diante da cara.

Mas essa fatia não se mantém inerte por vontade própria, ela não deixa de lado valores morais ou esquece de se aprofundar em questões importantes por mero desleixo, ela assim age porque foi criada, desde a infância, a apreciar futilidades, a lutar apenas pelo pão de cada dia, a suprir suas necessidades básicas, tornando-se incapaz de seguir além do palpável, o óbvio.

Prova disso é o que convencionou-se denominar por "cultura popular".

Poderíamos aqui nos aprofundar na parte musical, um perfeito exemplo de como isso acontece, analisando ritmos pobres como o funk, o pagode, o axé, etc, mas o blog se destina aos assuntos relacionados à literatura e infelizmente a bestialização do povo também se dá graças à literatura.

Outrora ela era a responsável por abrir a mente das pessoas, fazê-las pensar, analisar, filosofar, ampliar seus horizontes, mas as obras publicadas atualmente servem a esses propósitos ou não são nada que uma forma de ganhar dinheiro e de entreter a população com assuntos fúteis?

O que está na moda ser lido nos dias atuais?

Machado de Assis é chato, seu linguajar é rebuscado, difícil, Nietzsche trata de assuntos que ninguém entende, dá sono, é um porre, Sun Tzu, por que ler um livro escrito há trocentos anos? Platão, Sócrates (eu nem sabia que o jogador do Corinthians era jogador)...

Melhor então eu ler obras de mais fácil compreensão, como os de E. L. James, Kéfera Buchmann, Bruna Surfistinha, Janaína Ricco, Paulo Coelho ou coisas semelhantes.

São livros de fácil entendimento, mastigados, utilizam um linguajar palatável, abordam assuntos cotidianos com os quais fica mais fácil o povão se identificar.

Mas essa gente de visão curta não lê essa pseudo-literatura por mera maldade, e talvez nem mesmo por gosto, mas sim porque esse tipo de lixo seja o que ela é capaz de assimilar, é o nível de texto que ela, analfabeta funcional, consegue compreender.

Tudo isso fruto de um nível de estudo sofrível, medíocre, onde os governantes enaltecem o percentual de crianças e jovens nas escolas, mas não mencionam o nível de ensino ministrado nessas escolas.

E tamanho é o sucesso dessas excelentes obras citadas que elas são transformadas em filmes, novelas, mini-séries, etc, tudo para que suas ideias sejam levadas às massas por todos os veículos "culturais" possíveis.

Há uma matéria aqui no blog que trata essas obras como "Literatura de Entretenimento", matéria essa escrita pela antiga equipe que cuidava do blog, anterior à nossa, mas nós (a nova equipe) discordamos dessa opinião e preferimos chamar esse tipo de livro de "Literatura de Emburrecimento".

Por que emburrecimento?

Simplesmente porque obras dessa categoria tratam de assuntos rasos, que pouco agregam ao caráter dos leitores (quando não os distorce negativamente), de baixa qualidade, que poderiam ter sido escritos por qualquer cidadão com o mínimo grau de alfabetização e que exploram somente os sentimentos e instintos primordiais humanos.

Tomemos por exemplo o "Cinquenta Tons de Cinza".

Ao término do livro a que tipo de reflexão o leitor é levado?

"Penso, logo existo"?

"No meio do caminho tinha uma pedra"?

Não, não, o que vem à mente é algo do tipo "Nossa, eu deixaria o Christian Grey enfiar o que quisesse na minha bunda, em troca de um carrão".

Percebe o quanto isso é bestializador? Como é fútil, imbecil e raso?

Por que levar ao povo obras que façam com que ele questione seu modo de vida, que façam ele analisar o motivo de sua infelicidade, que o façam pensar em como sair da situação medíocre em que ele se encontra?

Quem está interessado nisso? 

Mas ai de você se, nas rodinhas literárias da desértica Bienal do Livro desse ano (por exemplo), comentasse algo do gênero... seria apedrejado, ninguém te chamaria pra comer bolinho e tomar chá na casa da tia Francisca, jamais a blogueira feia, gorducha e solteirona, resenharia um livro seu, nunca um trabalho de sua autoria estaria nas listinhas tendenciosas de mais lidos ou melhores do ano daquele site que só publica matéria paga.

Você seria execrado, tenha certeza disso.

Sim, seria sim, assim como o foram e costumam ainda ser apedrejados aqueles que resolvem colocar a boca no trombone e meter o pau nesses livros, em seus autores medíocres e nas editoras que só pensam em lucro, como tantas vezes aconteceu aqui no blog.

Estão eles errados em expressarem suas opiniões acerca da literatura? Todo mundo é obrigado a idolatrar esse tipo de porcaria literária?

Não, ninguém é obrigado a nada.

Assim como ninguém é obrigado a gostar de ouvir funk, ninguém é obrigado a gostar de ler Kéfera, ninguém é obrigado a gostar de rabada e nem é obrigado a gostar de transar com obesos.

Situações assim nos fazem lembrar daqueles artistas que vão aos programas dominicais de televisão e são obrigados a fingir gostarem da música do MC Zé Roela ou da Militta quando, visivelmente, aquilo lhes provoca asco, mas fingem gostar para não serem queimados pelas emissoras e mídia em geral.

As pessoas abrem mão do que são, dos seus gostos, enfiam o caráter no orifício nasal, só pra ficarem bonitas para as panelinhas das quais fazem parte, ou pretendem fazer parte, é deprimente.

Só que não é só na televisão que acontece isso, o meio literário é igualzinho: ou você esbraveja que livros da Janaína Rico, do Paulo Coelho ou da Surfistinha são grimoires literários ou corre o risco de ser execrado. Corre o risco não, certamente você será execrado.

Entenda que você deve remar de acordo com a maré, seguir a tendência, ser Maria vai com a outras, ou está ferrado, não lhe é permitido ter opinião própria e muito menos discordar da opinião dos que julgam-se a nata da literatura, os formadores de opinião.

Mas quem se importa com isso tudo?

Quem se importa se o povão está lendo livro porcaria?

O governo? Não, claro que não, é exatamente isso que ele quer, um povo gado, bestializado, obtuso, mais fácil de ser manobrado.

As editoras? Muito menos, o que elas visam é o lucro, se o que elas publicam está transformando o povo em animais movidos pela genitália não é um problema deles, o importante é que os livros vendem horrores.

Quem deveria se preocupar com isso tudo é você, por ser conivente com tudo isso e não se preocupar com o tipo de sociedade onde seus filhos e netos viverão.

Saudades dos tempos em que livros eram instrumentos de construção, de transformação, e não de alienação e de bestialização como os que são publicados e lidos hoje em dia.

Entre em contato: litfanbr@gmail.com

3 comentários:

  1. o certo seria: eu nem sabia que o jogador do corinthias era escritor.

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  2. rogério comenta:
    é verdade, e se notares uma coisa...a onda do momento que dá dinheiro é ser polemico ou falar idiotices no Youtuber gerando views e monetizando, alguns desses youtubers, o mais relé, fatura no minimo 30 mil por mês, O QUE ACONTECEU? AS EDITORAS E EDITORES OPORTUNISTAS CONVIDARAM OS YOUTUBERS PRA PUBLICAREM LIVROS. DUVIDO QUE ELES ESCREVERAM, EXISTEM GHOST WRITERS BARATINHOS POR AÍ... A verdade é que anos de descaso com a educação e a cultura, que continua firma o descaso, tornou o Brasil o que é hoje...uma merda. A maioria dos nossos politicos estavam desempregados ou subempregados, economistas, advogados etc, entraram pra politica pra se arrumarem na vida. A solução seria investir maciçamente, mas de forma séria mesmo, na educação, e e fazer uma super reforma politica e educacional, com participação do povo através de plebiscitos ou algo assim pra tentar melhorar, A LONGO PRAZO, o país. Acho que vai levar mais umas tres ou quatro gerações pro país se arrumar de novo. Se é que alguma vez tentou se arrumar.

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  3. Meu caro, apesar de ser verdade tudo o que citou. Acho que você é ingênuo ou inconsequente mesmo. Desde Érico Verissimo que o objetivo é vender. Acontece que o tempo passou, nada será como antes. Tudo mudou. E se as pessoas não se adaptarem a Isso, acabou par a elas, seja em que ramo for.
    Verdade tudo o que você escreve. Até baro palmas. Agora, tem uma linha muito tênue na sua intenção de informar ao ato de executar o hábito de ler. É preciso tomar cuidado para não desestimular o que já anda desestimulante.
    Parabéns pela sua coragem. Mas lembre-Se de que o Sol nasce para todos. Estamos em 2017. Nem as roupas e nem o modo de falar é igual aos tempos dos clássicos os quais, naquela época, foram publicados com exatamente o mesmo objetivo de hoje $$$. Acontece que onde tudo é mais formal as coisas parecem bem mais belas. Mas te convido a olhar certas coisas sob outro ângulo.
    Um abraço.

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